Estudantes de Jornalismo

Blog dedicado a estudantes e profissionais que atuam na área de jornalismo e que queira publicar seus trabalhos acadêmicos.

quarta-feira, setembro 06, 2006

O que é fotojornalismo

Não sei exatamente se pode haver uma definição para o que é fotojornalismo, acredito que deve haver níveis de interpretação, essa mistura de fotografia com jornalismo tem um modo de ser muito diverso e implícito, a linguagem parece ser algo que se completa de acordo com a visão que se tem da notícia, e essa compete a uma generalidade de temas que o jornalista precisa transmitir, na intenção de contar uma história no momento em que acontece. Encontrar na realidade um fato inusitado e transmitir com naturalidade é ter a percepção do momento decisivo, é contextualizar os textos possíveis para que o público consiga relacionar os fatos e fazer uma leitura concreta de como aquela notícia significa. Usar a palavra, considerando aqui ( fotografia/texto ) como ordem de sucessão no âmbito da notícia é enfrentar os mitos da objetividade e conseguir percorrer uma linha democrática mostrando "os dois lados da moeda" de forma que a imagem da informação tenha um compromisso com o fato, não com uma linha partidária, ou camuflada. Não se pode brincar com a cena da notícia, não há nada de subjetivo, o que se tem é verídico e o compromisso é que apareça assim, o inusitado não seria uma decisão nossa enquanto jornalistas reprodutores da informação, mas a singularidade, algo curioso, que aparentemente não estava ali e o/a jornalista consegue ter a percepção disso com o elemento essencial que é a crítica. Agora, não a crítica no sentido pejorativo, falo da dinâmica dos fatos, de ter essa perspectiva, de pesnar a realidade que se demosntra de forma dialógica e não de forma claramente pronta e acabada. O fato, a notícia em si possui suas versões e o fotojornalismo precisa dar o espaço que a notícia pede e merece ter, afinal é toda uma conjuntura que se tem sobre o domínio da palavra que vai influenciar a opinião pública. A leitura que se edita ou se consegue é aquilo que o/a jornalista conseguiu ver e essa de fato é uma profissão de riscos, porque aquilo que eu decido não mostrar talvez seja o que o público precise ver e caimos na armadilha, daquilo que tanto lutamos contra: a censura.
As dimensões que se têm dado ao fotojornalismo hoje, analisando jornais impressos no Brasil, é de uma audácia apelativa sem escolhas, porque eu enquanto leitora, acordo de manhã, e vou ver o jornal, de repente o jornal me dá "Bom dia" com a foto da capa: "Travesti é esquartejado no bairro do Recife"e lá estão as fotos fidelíssimas as cenas. E fica a pergunta no ar...Informação ou apelação? O jornalista Walter Gois com a jornalista Ana Arruda Calado em debate no Observatório da Imprenssa, estavam comentando sobre o tipo de persuação que se está construindo sobre a imagem do fato, sobre a imagem da crítica, e a fonte aí analisada, foi a Revista Veja que lançou na capa, o Presidente Lula com um "pé na bunda", e os dois jornalistas questionavam, que em troca de interesses óbvios "os jornalistas" estavam perdendo a civilidade e por sua vez a revista perdia credibilidade. Então concluo que o fotojornalismo não pode ser tendencioso, e se aliar a interesses meramente comerciais pode parecer algo lucrativo no início, depois vira algo desastroso, porque no meio do caminho não se consegue mais fazer nem foto, nem jornalismo.


Por Brena Daniela Vila Nova Magalhães.