Estudantes de Jornalismo

Blog dedicado a estudantes e profissionais que atuam na área de jornalismo e que queira publicar seus trabalhos acadêmicos.

quarta-feira, setembro 06, 2006

Artigo

Eu produto, eu robô

Com a difusão global do processo capitalista, as empresas visam o lucro e o processo de venda de um produto ou serviço está sempre agregado a uma necessidade muitas vezes, mais criada, do que necessária. Um dos responsáveis por essa difusão desajustada e aparentemente necessária é o marketing, onde tudo que está em jogo é um produto. A estratégia não é simples, em sua conjuntura há toda uma combinação de forças que unem cores, estilos e diferenças que quando padronizadas geram a mesma atitude.O fato de usar uma "calça pescador" não foi uma idéia minha, foi uma estratégia de marketing. Padronizar e gerar a mesma atitude será mesmo a valorização da diferença, da identidade? Agora as roupas falam grego. E amanhã o que será o novo?
O capitalismo como desordem nesse organismo já tão doente e desgastado é o condutor volátil de tendências que vem e vão, que usam espectros em favor de uma humanidade consumista e mórbida. Quem não gostaria de dá adeus a seis milhões de figurantes e ser um Sartre, alguém real, como a realidade está além dela própria.
Tem gente gritando, tem gente comprando uma espécie de coisa, de coisificação. Não sei quantos são os casos. E não existe um (porque), sem a percepção dos fatos. E essa não é uma visão, porque ver alguém ou alguma coisa é um mistério muito particular. Alguém deve um dia contar a história dessa massa, dessa massificação popular, que o tempo todo está em off, com um anúncio estampado: vende-se. Aquela senhora chamada Pagu, subiria indignada no palanque com a fama de porra-louca e eu ficaria aqui calado, calada. Afinal, isso é a conformidade, é a atitude mais prática.
O vício é procurar novas drogas de aluguel e seguir admitindo. Aqui, bem no meio da nossa feira, tem um banco que vende prostitutas a um real, tem mendigo deitado na porta da igreja, esperando bondade; aquela mesma caridade para com os pobres, os filhos de Deus. Isso deve ser parte da ordem progressista positiva, então vamos as compras, pois essa é a mobilidade e quem não pode comprar fica fora disso.
Foucault nos diz que, "se a sociedade soubesse que é ingênua, ela não seria ingênua", então somos todos um bando de idiotas e nem sabemos que somos e dessa forma a conformidade se repete. Para nada há solução, num mundo que pode ser mais mudável que imudável, na sua condição de ser.

Por Brena Daniela